...na sombra...
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Stand By Me (tradução) com outra versão
Stand By Me é o título de uma canção gravada originalmente por Ben E. King, composta por Ben E. King, Jerry Leiber e Mike Stoller. No ano de lançamento, (1960) o single ficou entre as mais tocadas nas paradas estadunidenses, voltando a ser destaque em 1975 quando o ex-beatle John Lennon regrava a canção.
Stand By Me (tradução)
Mink (Willy) DeVille – Stand By Me (From “Live at Montreux 1982″)
Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo. Não, eu não terei medo
Desde que você fique. Fique comigo
Refrão:
Então querida, querida,
Fique comigo. Oh, fique comigo,
Oh, fique. Fique comigo,
Fique comigo…
Se o céu que vemos lá em cima
Desabar e cair
Ou as montanhas desmoronarem no mar
Eu não chorarei, eu não chorarei
Não, eu não derramarei uma lágrima,
Desde que você fique. Fique comigo
Refrão
Quando você estiver com problemas, você contará comigo?
Oh, conte comigo
Oh, você não ficará agora?
Conte comigo
Vanessa Paradis & Willy DeVille
Publicado em Música | Com a tag willy deville |
7 de Setembro
Publicado em 7 de setembro de 2011 por Sérgio Camargos
- É muito tempo?
- Tempo de Alface ou tempo de Montanha?
Quando criança costumávamos avaliar as medidas de tempo em conformidade
com quem percebia este tempo. Assim para um pé de alface o período de 1 mês era muito tempo, mas para uma Montanha um mês era nada, menos que um piscar de olhos humanos.
Uma tarde é toda uma vida para um pernilongo, para um humano somente 1 tarde entre milhares que pode viver.
Considerando isto, ouso afirmar que para o Brasil que tem apenas 122 anos de existência,
as coisas estão caminhando bem. Ainda mais em comparação com países europeus que tem milhares de anos de história.
122 anos é pouco tempo, do ponto de vista de país. O Brasil foi invadido oficialmente
em 1500, conseguimos a libertação do domínio Português em 1822 e apartir daí
a antiga colônia tornou-se um império, e a república surgiu apenas em 1889.
Ao longo do tempo os brasileiros tem-se libertado de carrascos e usurpadores e a luta tem sido vitoriosa ao contrário do que dizem os servos e escravos mentais destes carrascos e usurpadores. Apesar de saldo positivo de vitórias a luta não acabou e deve continuar todos os dias. Luta-se da forma que cada um é capaz, o importante é lutar, por uma vida digna para nós e para todos.

P.S. E para quem disser Inconfidência Mineira: “Inconfidência” é o caralh…. não foi relizada nenhuma inconfidência, pois esta palavra significa traição, os mineiros lutaram sim em 1789 para sair da escravidão portuguesa. E nunca lutar para conseguir a liberdade pode ser chamado de inconfidência ou traição.
Embora não muito adequado, mas que já tem certo uso para referir-se a este episódio, podemos dizer que houve foi uma CONJURAÇÃO, uma conspiração. Conjuração dos que viviam nas minas gerais. A Conjuração Mineira.
Publicado em Sociedade
domingo, 11 de setembro de 2011
Uma derrota americana
A queda
Janio de FreitasFolha de S. Paulo
Janio de FreitasFolha de S. Paulo
Nada na vida social, política e militar americana voltou à sua natureza depois da derrubada das torres
As celebrações e as atividades jornalísticas e políticas a propósito do 11 de Setembro não se fazem a propósito de vitória. E se não o fazem, dissociados da visão gloriosa que o Ocidente tem de si mesmo, é por não poderem fazê-lo. O acontecimento de 11 de setembro de 2001 não se completou ainda.
A concepção histórica e social, religiosa e combatente que gerou o ataque vitorioso às torres simbólicas não deu sinais, nestes dez anos seguintes, de que as respostas ocidentais a tenham reduzido à vida vegetativa. Para nem falar em extinção. Está viva, sem sinal de derrota próxima, na geografia hostil às forças norte-americanas e outras que se enredam em mortandade até hoje sem efeito além da mortandade mesma. A par de ser esse enredamento a causa, agravante senão originária, de gastos que têm uma quota alta de responsabilidade na crise do poder e da vida nacional nos Estados Unidos.
Nos dez anos recentes, nada, entre os norte-americanos, pôde desfazer-se por completo das influências decorrentes do 11 de Setembro. O poder policial agigantou-se a ponto de se tornar inconciliável com a democracia. E o medo conferiu-lhe primazia sobre os direitos gerais de cidadania, tornados alcançáveis e vitais desde que enfim abolida a discriminação racial há cerca de 50 anos.
Nada na vida social, política e militar americana voltou à sua natureza depois da derrubada das torres gêmeas. O que Barack Obama prometia era a superação dessas condições, a começar da retirada quase imediata das tropas invasoras do Iraque e do Afeganistão. Desistiu ou fracassou, não faz diferença. Nem os arremedos e promessas de retirada futura têm sequer o mínimo de crédito. A arrogância natural dos norte-americanos, fruto personalizado do seu êxito nacional sobre o planeta, continua a mesma, porém minada por sentimentos de insegurança e por interrogações até aqui insuperáveis. E, pior, sem indícios de se deixarem superar em tempos mais ou menos próximos.
As celebrações nos Estados Unidos e a abundância da rememoração jornalística do 11 de setembro de 2001 ocupam-se da dor e do pasmo de uma derrota que não teve, e não se sabe quando e se terá, o seu reverso.
A MÃO INVISÍVEL - Frei Betto
A MÃO INVISÍVEL
Desde criança tenho, como todo mundo, meus medos. Já foram maiores: medo de
ver meu pai bravo, de ser obrigado a comer jiló, de tirar zero na prova de
matemática. Medo, sob a ditadura, de me ver abordado por uma viatura policial.
Medo, sob a chuva capixaba, de que meu barraco na favela, erguido à beira de
um precipício, fosse levado pelas águas.
Hoje, coleciono outros medos. Um deles, medo da mão invisível do Mercado.
Aliás, do que é invisível só não temo Deus. Temo bactérias e extraterrestres.
As primeiras, combato com antibióticos – termo inapropriado, pois significa
“contra a vida” e, no entanto, os inoculamos para favorecê-la.
Quanto aos extraterrestres, fiquei menos temeroso ao saber que o mais longo
alcance no espaço conseguido por nossa tecnologia é atingido pelas emissões
televisivas. Com certeza, ao captá-las, os exploradores interplanetários
chegaram à conclusão de que na Terra não há vida inteligente...
Volto à mão invisível do Mercado. Onde ele a enfia? De preferência, no nosso
bolso. Em especial, no dos mais pobres. Ela é invisível porque safada, como
todo delito praticado às escondidas. Por exemplo, o Mercado pratica extorsão
no bolso dos mais pobres através dos impostos embutidos em produtos e
serviços. Tudo poderia nos custar mais barato se não fosse essa mão-boba que
se imiscui no que consumimos.
Agora que o Mercado entrou em crise – pois a bolha que inflou estourou na
cara dele – onde anda enfiando a sua mão invisível? A resposta é visível: no
bolso do governo. Nos EUA, o Mercado, nos estertores da administração Bush (de
infeliz memória), meteu a mão em US$ 830 bilhões e, agora, arranca mais US$
900 bilhões da recém empossada administração Obama. Tudo pra enfiar essa
fortuna no bolso furado do sistema financeiro.
Aliás, a mão invisível do Mercado ignora o bolso dos cidadãos. Viciada,
sempre beneficia o bolso dos ricos. É o caso do Brasil. Diante da crise (e das
próximas eleições) o governo trata de anabolizar o PAC, de modo que a mão do
Mercado possa abastecer, o quanto antes, o bolso das empreiteiras e das
empresas privadas encarregadas das obras.
Minha avó advertia: “Veja lá, menino, onde põe esta mão!” E me obrigava a
lavá-la antes de sentar à mesa. Acho que a mão do Mercado é invisível porque
jamais se lava. Ao contrário, lava dinheiro sem se lavar da sujeira que a
impregna. É o que deduzo ao ler a notícia de que, nos paraísos fiscais, a
liquidez dos grandes bancos foi assegurada, nos últimos anos, graças aos
depósitos do narcotráfico.
A mão pode ser invisível, mas suas impressões digitais não. Onde o Mercado
bota a mão fica a marca. Sobretudo quando tira a mão, deixando ao relento
milhares de desempregados, jogados na rua da inadimplência, enforcados em
dívidas astronômicas.
O Mercado é como um deus. Você crê nele, põe fé nele, venera-o, faz
sacrifícios para agradá-lo, sente-se culpado quando dá um passo em falso em
relação a ele – ainda que a culpa seja dele, como no caso da compra de ações
que ele lhe vendeu prometendo fortunas e, agora, elas valem uma ninharia.
Como um deus, só se pode conhecê-lo por seus efeitos: a Bolsa, o salário, a
hipoteca, o crédito, a dívida etc. Ele se manifesta por meio de sua criação,
sem no entanto se deixar ver ou localizar. Ninguém sabe exatamente a cara que
tem e o lugar onde se esconde, embora seja onipresente. Até na vela vendida à
porta da igreja ele se faz presente. E mete a mão, a famosa mão invisível, a
temida mão invisível, essa mão mais execrável que a de tarados que ousam
enfiá-la sob a saia da mulher de pé no ônibus.
Nem adiante gritar: “Tira essa mão daí!” Apesar de a mão invisível manipular
descaradamente nossa qualidade de vida, privilegiando uns poucos e asfixiando
a maioria, dela ninguém se livra. Como é invisível, não se pode amputá-la. Só
resta uma saída: cortar a cabeça do Mercado. Mas isso é outra história. Hoje
falei da mão. A cabeça fica pra outro dia.
Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Independência do Brasil - nova versão *

*Essa é uma história de ficção. Se você chegou a este blog fazendo uma pesquisa de escola sobre a Independência do Brasil, procure AQUI ou AQUI. Não entregue esse texto para a professora – a não ser que você queira tirar zero no trabalho!
Na busca incessante pela verdade, nossos proctologistas investigam de forma periódica os anais da história a fim de encontrarem evidências que se aproximem dos fatos como eles realmente aconteceram.
Como o Brasil não tem jeito, foi preciso que uma equipe da Universidade de Oh,Raio ( especialistas em pesquisas relevantes) desvendasse o mistério que há muito tempo intriga historiadores e curiosos em geral: por que D.Pedro I, vulgo Pedrinho, proclamou a independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822?
Eis o que os documentos revelam.
NA CASA DE DOMITILAEncontrava-se Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, mais conhecido como Pedrinho, na casa da bela Domitila de Castro e Canto Melo, mais conhecida como Titila.
- Mas Titila, seja razoável...
- Chega, Pedro! Você promete, promete e nada cumpre!
- O que você quer que eu faça? Eu sou apenas o príncipe real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, não tenho esse poder todo que você pensa... a não ser que você se refira a outro tipo de poder, minha querida Titilinha, hum, vem cá!
- Afastai, Pedro! Sai pra lá, aquieta este fogo, homem, que eu não sou dessas bailarinas francesas que se encantam com um “príncipe de Algas”, ora!
- Algarves! É uma rica região de Portugal conquistada com muita luta contra os árabes e...
- Não mude de assunto, Pedro! Eu quero resolver este assunto do qual você me enrola há tempos: um título de nobreza! Pelo menos isso eu quero, já que você não larga aquela lambisgóia que chamam de “princesa”, a Leopoldina, ah, que mulher irritante!
- Titila, já falamos sobre isso: eu não posso largar a princesa! Isso causaria um grande mal-estar na família Habsburgo e a Áustria poderia romper relações com Portugal e até, quem sabe, declarar guerra! E não queremos fugir novamente, ô, pá!
- Tá, tá! Sabe qual é o seu problema, Pedro? Não é ambicioso! Você se conforma com pouco, em ser um reles príncipe de Alfarje!
- Algarves! E do que você está falando?
- Ah, você só quer saber de andar por aí com aquele seu amigo, o Chalaça, não gosto dele! Vivem bebendo, contando piadas, jogando e correndo atrás de bailarinas francesas e qualquer rabo de saia! Você pensa que eu não sei, mas eu não sou boba! Você deveria almejar muito mais, aposto que isso te daria prestígio e assim você mudaria seu comportamento!
- Domitila, do que está falando? Seja clara!
- Seu idiota! Estou falando que já está na hora de ser rei! Imperador do Brasil!
- Mulher, você ficou doida? Meu pai ainda é vivo e já estou meio brigado com ele, pois anunciei que fico no Brasil! E ainda tem as cortes, elas não aceitariam e...
- As cortes, as cortes, ah, Pedro, seja homem uma vez! Proclame a independência, seja imperador, mande nessa roça que é o Brasil, livre-se de Leopoldina e me faça rainha!
- É...bem, vou ter que conversar com Bonifácio...
- Ah, Pedro, chega! E vai conversar com quem mais? Com Chalaça? Chega! Só me procure novamente quando virar rei!
- Mas Titila...isso pode demorar! Até lá, como viverei sem tua beleza e toda essa abundância que tens?
- Te vira, Pedro! Está avisado: ou vira rei ou nada de cama, mesa, banho e foguinho aqui em Santos!
NAS MARGENS DO RIACHO IPIRANGAIrritado com essa discussão com a bela Domitila de Castro, Pedro seguiu viagem de volta para São Paulo acompanhado de seu inseparável amigo, o Chalaça.
- Aê, príncipe, tenho umas ideias legais pra gente descolar uma grana!
- Hum?
- Seguinte: a gente podia cobrar a passagem aqui neste trecho entre Santos e São Paulo. Poderíamos chamar este trecho de “Via Anchieta” e prometer umas melhorias na pista, mas mediante um pagamento de quem a utiliza. Claro que não gastaremos um tostão, só contaremos os lucros! Não é uma boa?
- Chalaça, que ideia mais imbecil! Quem iria fazer isso? Ah, me deixa em paz que preciso tomar umas decisões.
- O que tá pegando, Pedrão? Eu tô dizendo, essa mulher tá colocando umas minhocas na tua cabeça, daqui a pouco coloca outra coisa...
- Sabe o que é, Chalaça? A mulher cismou que eu tenho que ser rei, imperador do Brasil! E quer ser rainha, quer que eu dê um chute em Leopoldina, essa mulher quer tudo, que diabos!
- Ué, é simples: dá no pé, deixa essa Domitila pra lá. Semana que vem chegam novas bailarinas da França e...
- Não, Chalaça, estou apaixonado. O que eu faço? Não dá pra dispensar aqueles quadris, aquele busto, aquela rara beleza...
- É, Pedrão, agora complicou. Bora sentar às margens daquele riacho ali pra relaxar e pensar no que fazer.
Naquele momento chega um mensageiro trazendo cartas de José Bonifácio e da princesa Leopoldina. Essas teriam enfurecido Pedro de Alcântara.
“... e a madame Marie-Louise Bardot manda avisar que precisa comprar leite para as crianças e que a ajuda que vossa excelência envia não dá para comprar nada e se isso não melhorar vai contar pra todo mundo que o filho é teu.Respeitosamente, José Bonifácio”
“...pois chegou uma louca aqui dizendo que os quatro filhos dela estavam passando fome e disse que todos esses meninos são teus! Volte imediatamente, ou melhor, não volte, seu desgraçado mulherengo! Vou contar tudo pro meu pai e ele vai declarar guerra e você vai ver! E que história é essa de " Fogo-Foguinho"???da tua enfurecida Leopoldina"
Ao ler estas cartas Pedro de Alcântara levantou-se em um salto, subiu no jumento que era sua montaria e gritou para a comitiva:
- Chega!!! Não aguento mais! É muita coisa para uma pessoa só, muita pressão! Tudo o que eu quero é liberdade, independência! É INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!!
E assim aconteceu a independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822. O restante da história todos conhecem.
Como o Brasil não tem jeito, foi preciso que uma equipe da Universidade de Oh,Raio ( especialistas em pesquisas relevantes) desvendasse o mistério que há muito tempo intriga historiadores e curiosos em geral: por que D.Pedro I, vulgo Pedrinho, proclamou a independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822?
Eis o que os documentos revelam.
NA CASA DE DOMITILAEncontrava-se Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon, mais conhecido como Pedrinho, na casa da bela Domitila de Castro e Canto Melo, mais conhecida como Titila.
- Mas Titila, seja razoável...
- Chega, Pedro! Você promete, promete e nada cumpre!
- O que você quer que eu faça? Eu sou apenas o príncipe real do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, não tenho esse poder todo que você pensa... a não ser que você se refira a outro tipo de poder, minha querida Titilinha, hum, vem cá!
- Afastai, Pedro! Sai pra lá, aquieta este fogo, homem, que eu não sou dessas bailarinas francesas que se encantam com um “príncipe de Algas”, ora!
- Algarves! É uma rica região de Portugal conquistada com muita luta contra os árabes e...
- Não mude de assunto, Pedro! Eu quero resolver este assunto do qual você me enrola há tempos: um título de nobreza! Pelo menos isso eu quero, já que você não larga aquela lambisgóia que chamam de “princesa”, a Leopoldina, ah, que mulher irritante!
- Titila, já falamos sobre isso: eu não posso largar a princesa! Isso causaria um grande mal-estar na família Habsburgo e a Áustria poderia romper relações com Portugal e até, quem sabe, declarar guerra! E não queremos fugir novamente, ô, pá!
- Tá, tá! Sabe qual é o seu problema, Pedro? Não é ambicioso! Você se conforma com pouco, em ser um reles príncipe de Alfarje!
- Algarves! E do que você está falando?
- Ah, você só quer saber de andar por aí com aquele seu amigo, o Chalaça, não gosto dele! Vivem bebendo, contando piadas, jogando e correndo atrás de bailarinas francesas e qualquer rabo de saia! Você pensa que eu não sei, mas eu não sou boba! Você deveria almejar muito mais, aposto que isso te daria prestígio e assim você mudaria seu comportamento!
- Domitila, do que está falando? Seja clara!
- Seu idiota! Estou falando que já está na hora de ser rei! Imperador do Brasil!
- Mulher, você ficou doida? Meu pai ainda é vivo e já estou meio brigado com ele, pois anunciei que fico no Brasil! E ainda tem as cortes, elas não aceitariam e...
- As cortes, as cortes, ah, Pedro, seja homem uma vez! Proclame a independência, seja imperador, mande nessa roça que é o Brasil, livre-se de Leopoldina e me faça rainha!
- É...bem, vou ter que conversar com Bonifácio...
- Ah, Pedro, chega! E vai conversar com quem mais? Com Chalaça? Chega! Só me procure novamente quando virar rei!
- Mas Titila...isso pode demorar! Até lá, como viverei sem tua beleza e toda essa abundância que tens?
- Te vira, Pedro! Está avisado: ou vira rei ou nada de cama, mesa, banho e foguinho aqui em Santos!
NAS MARGENS DO RIACHO IPIRANGAIrritado com essa discussão com a bela Domitila de Castro, Pedro seguiu viagem de volta para São Paulo acompanhado de seu inseparável amigo, o Chalaça.
- Aê, príncipe, tenho umas ideias legais pra gente descolar uma grana!
- Hum?
- Seguinte: a gente podia cobrar a passagem aqui neste trecho entre Santos e São Paulo. Poderíamos chamar este trecho de “Via Anchieta” e prometer umas melhorias na pista, mas mediante um pagamento de quem a utiliza. Claro que não gastaremos um tostão, só contaremos os lucros! Não é uma boa?
- Chalaça, que ideia mais imbecil! Quem iria fazer isso? Ah, me deixa em paz que preciso tomar umas decisões.
- O que tá pegando, Pedrão? Eu tô dizendo, essa mulher tá colocando umas minhocas na tua cabeça, daqui a pouco coloca outra coisa...
- Sabe o que é, Chalaça? A mulher cismou que eu tenho que ser rei, imperador do Brasil! E quer ser rainha, quer que eu dê um chute em Leopoldina, essa mulher quer tudo, que diabos!
- Ué, é simples: dá no pé, deixa essa Domitila pra lá. Semana que vem chegam novas bailarinas da França e...
- Não, Chalaça, estou apaixonado. O que eu faço? Não dá pra dispensar aqueles quadris, aquele busto, aquela rara beleza...
- É, Pedrão, agora complicou. Bora sentar às margens daquele riacho ali pra relaxar e pensar no que fazer.
Naquele momento chega um mensageiro trazendo cartas de José Bonifácio e da princesa Leopoldina. Essas teriam enfurecido Pedro de Alcântara.
“... e a madame Marie-Louise Bardot manda avisar que precisa comprar leite para as crianças e que a ajuda que vossa excelência envia não dá para comprar nada e se isso não melhorar vai contar pra todo mundo que o filho é teu.Respeitosamente, José Bonifácio”
“...pois chegou uma louca aqui dizendo que os quatro filhos dela estavam passando fome e disse que todos esses meninos são teus! Volte imediatamente, ou melhor, não volte, seu desgraçado mulherengo! Vou contar tudo pro meu pai e ele vai declarar guerra e você vai ver! E que história é essa de " Fogo-Foguinho"???da tua enfurecida Leopoldina"
Ao ler estas cartas Pedro de Alcântara levantou-se em um salto, subiu no jumento que era sua montaria e gritou para a comitiva:
- Chega!!! Não aguento mais! É muita coisa para uma pessoa só, muita pressão! Tudo o que eu quero é liberdade, independência! É INDEPENDÊNCIA OU MORTE!!!
E assim aconteceu a independência do Brasil em 7 de Setembro de 1822. O restante da história todos conhecem.
Postado porJaime Guimarães
O VERDADEIRO “11 DE SETEMBRO” DA HUMANIDADE
5 de setembro de 2011

NA ÁFRICA, MILHÕES DE PESSOAS ESTÃO AMEAÇADAS DE MORRER DE FOME, 4 MILHÕES SÓ NA SOMÁLIA, E, PARA 750 MIL DELAS, ESSA MORTE DEVE CHEGAR EM QUESTÃO DE DIAS.
O DINHEIRO SOBRA PARA SOCORRER “BANCOS” OU FOMENTAR O COMÉRCIO DAS ARMAS E GUERRAS, MAS, FALTA, PARA A COMPRA DE COMIDA, REMÉDIOS E ÁGUA, E EVITAR ESSA TRAGÉDIA HUMANITÁRIA.
EIS AÍ O VERDADEIRO “11 DE SETEMBRO” DA HUMANIDADE, PRATICADO NÃO POR UM GRUPO DE FANÁTICOS, MAS, SIM POR UM GRUPO DE LUNÁTICOS, QUE GOVERNAM OS PAÍSES RICOS DO MUNDO, OU, OS PAÍSES MANTIDOS NA MISÉRIA NA ÁFRICA.
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Campanha #ForaRicardoTeixeira
![]() |
| @CarlosLatuff |
Saídas à esquerda
Sobrevivendo à desumanidade?
“Como quer Boaventura, é fundamental a defesa duma ‘democracia de alta intensidade’, isto é, que volte a agregar valores morais – de igualdade, fraternidade e justiça social”
Márcia Denser
Em dois artigos recentes, o sociólogo e pensador de esquerda Boaventura de Souza Santos, professor nas universidades de Coimbra (Portugal) e Wisconsin (EUA), realiza um preciso diagnóstico do estado catastrófico em que se encontra a sociedade atual e – algo raro de acontecer – aponta algumas saídas à esquerda (inclusive para a própria esquerda) no sentido de apagar um incêndio social de proporções inimagináveis, cujo resultado óbvio é o retorno à barbárie.
A propósito, uma frase de Michael Douglas em Wall Street 2, é lapidar, ele diz mais ou menos isto: “Se antes a ganância era censurável, hoje ela é legal!”
Boaventura observa que os violentos distúrbios que têm explodido nas ruas do mundo – Europa, Oriente Médio, EUA – (que não ocorriam até um passado recente e cuja origem pode ser identificada em Seattle/1999, vejam que vida curta teve o Pensamento Único – 10 anos – da queda do Muro de Berlim e colapso da União Soviética em 1989 até 1999) realmente não são “um fenômeno isolado”, ao contrário, representam um perturbador sinal dos tempos. Sem perceber, as sociedades contemporâneas estão gerando um combustível altamente inflamável que flui nos subsolos da vida coletiva.
Tal combustível é constituído pela mistura de quatro componentes: a promoção conjunta da desigualdade social e do individualismo, a mercantilização da vida individual e coletiva, a prática do racismo em nome da tolerância e o sequestro da democracia por elites privilegiadas, com a consequente transformação da política na administração do roubo “legal” dos cidadãos. Cada um destes componentes tem uma contradição interna: quando se superpõem, qualquer incidente pode provocar uma explosão:
- Desigualdade e individualismo. Com o neoliberalismo, o aumento brutal da desigualdade social deixou de ser um problema, tornando-se uma solução. A ostentação dos ricos e da riqueza transformou-se na prova do êxito de um modelo social que só deixa miséria para a imensa maioria dos cidadãos, supostamente porque estes não esforçam o suficiente para ter sucesso na vida (darwinismo social). Isso só foi possível através da conversão do individualismo num valor absoluto, o qual, paradoxalmente, só pode ser experimentado como uma utopia da igualdade: a possibilidade de que todos dispensem a solidariedade social!
- Mercantilização da vida. A sociedade de consumo consiste na substituição das relações entre pessoas pelas relações entre pessoas e coisas. Os objetos de consumo deixam de satisfazer necessidades para criá-las incessantemente, e o investimento pessoal neles é tão intenso quando se tem como quando não se tem. Os centros comerciais são a visão espectral de uma rede de relações sociais que começa e termina nos objetos. O capital, com sua sede infinita de lucros, submeteu à lógica mercantil bens que imaginávamos comuns a todos (como a água e o ar) ou demasiado pessoais (a intimidade e as convicções políticas) para serem comercializados no mercado. Entre acreditar que o dinheiro é a medida de todas as coisas e acreditar que se pode fazer tudo para obtê-lo, há um passo bem pequeno. Os poderosos dão esse passo todos os dias sem que nada ocorra a eles. Os despossuídos, que pensam que podem fazer o mesmo, terminam nas prisões.
- O racismo da tolerância. Não é uma coincidência: são irrupções da sociabilidade colonial que continuam dominando nossas sociedades, mesmo décadas após do fim do colonialismo (o racismo é apenas um componente, já que de todos os distúrbios mencionados participam jovens de diversos grupos étnicos). Mas é importante, porque reúne a exclusão social com um elemento de corrosão da auto-estima – a inferioridade do ser agravada pela inferioridade do ter.
- O sequestro da democracia. O que há em comum entre os distúrbios e a destruição do bem estar dos cidadãos provocada pelas políticas de austeridade dirigidas pelas agências classificadoras e os mercados financeiros? Ambos são sinais das limitações extremas da ordem democrática. Os jovens rebeldes cometem delitos, mas não estamos diante de delinquentes nem terroristas, tal supersimplificação é idiota. Estamos frente a uma denúncia violenta de um modelo social e político que tem recursos para resgatar os bancos, mas não para resgatar os jovens duma vida sem esperanças, do pesadelo de uma educação cada vez mais cara e irrelevante, dado o aumento do desemprego; do completo abandono em comunidades que as políticas públicas anti-sociais transformaram em campos de treinamento da raiva, da anomia e da rebelião.
Entre o poder neoliberal instalado e os rebeldes urbanos há uma simetria perturbadora. A indiferença social, a arrogância, a distribuição injusta dos sacrifícios estão semeando o caos, a violência e o medo. Livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Por isso, retorna a urgência no sentido de reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação de algumas idéias. Aqui, Boaventura, didaticamente, levanta nove pontos essenciais:
Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo;
Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas. (grifo nosso)
Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).
Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.
Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual é preciso lutar; o crescimento econômico não é infinito.
Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar).
Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos; este é um patrimônio da esquerda que esta só tem dilapidado;
Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.
Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, monstros piores estariam à solta. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.
Como quer Boaventura, é fundamental a defesa duma “democracia de alta intensidade”, isto é, que volte a agregar valores morais – de igualdade, fraternidade e justiça social. Resta saber até que ponto (e até quando) o espírito humano será capaz de sobreviver sem eles, isto é, sem a própria humanidade.
Sobre a autora
Márcia Denser
* A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora/Tango Fantasma (Global,1986, Ateliê, 2003,2010, 2a.edição), A ponte das estrelas (Best-Seller,1990), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida em nove países e em dez línguas: Alemanha, Argentina, Angola, Bulgária, Estados Unidos, Espanha (catalão e galaico-português),Holanda, Hungria e Suíça. Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo
Leia mais em: O Esquerdopata
Under Creative Commons License: Attribution
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Gostosas
...brincando com chuverinho...
...lambendo seu mel...
...banho refrescante...
...oferecida, quero assim...
De céticos a cínicos
29/08/2011
O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.
Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.
Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.
Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.
Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.
Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.
As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.
Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.
Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação cons
Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.
Na realidade o ceticismo se revela, rapidamente, na realidade, ser um cinismo, em que tanto faz como tanto fez, uma justificativa para a inércia, para deixar que tudo continue como está. Ainda mais que o ceticismo-cinismo está a serviço dos poderes dominantes, que costumam empregar esses otavinhos, dando-lhes espaço e emprego.
Seu discurso é que o mundo está cada vez pior , à beira da catástrofe ecológica, tudo desmorona e outros cataclismos. Concitam a essa visão pessimista, ao ceticismo e a somar-se à inercia, que permite que os poderosos sigam dominando, os exploradores sigam explorando, os enganadores – como eles – sigam enganando.
Por mais que digam que tudo está pior, que o século passado foi um horror – como se o mundo estivesse melhor no século XIX -, que nada vale a pena, não podem analisar a realidade em concreto. Para não ir mais longe, basta tomar a América Latina – tema sobre o qual a ignorância dessa gente é especialmente acentuada. Impossível não considerar que o século XX foi o mais importante da sua história, o primeira em que a região começou a ser protagonista da sua historia. De economias agro exportadoras, se avançou para economias industrializadas em vários países, para a urbanização , para a construção de sistemas públicos de educação e de saúde, para o desenvolvimento do movimento operário e dos direitos dos trabalhadores.
Mas bastaria concentrar-nos no período recente, no mundo atual, para nos darmos conta de que as sociedades latino-americanas – o continente mais desigual do mundo – ou pelo menos a maioria delas, avançaram muito na superação das desigualdades e da miséria. Ainda mais em contraste com os países do centro do capitalismo, referência central para os cético-cínicos, que giram em falso em torno de políticas que a América Latina já superou.
As populações da Venezuela, da Bolívia, do Equador, estão vivendo muito melhor do que antes dos governos de Hugo Chavez, de Evo Morales e de Rafael Correa. A Argentina dos Kirdhcner esta’ muito melhor do que com Menem. O Brasil de Lula e de Dilma esta’ muito melhor do que com FHC.
Mas o ceticismo-cinismo desconhece a realidade concreta, não conhece a história. É pura ideologia, estado de ânimo, que dá cobertura aos poderosos, lado que escolheram, ao optar por deixar o mundo como ele está. Trata de passar sentimentos de angustia diante dos problemas do mundo, mas é apenas uma isca para fazer passar melhor seu compromisso com que o mundo não mude, continue igual. Até porque a vida está bem boa para eles que comem da mão dos ricos e poderosos.
Ser otimista não é desconsiderar os graves problemas de toda ordem que o mundo vive, não porque a natureza humana seja ruim por essência, mas porque vivemos em um sistema centrado no lucro e não nas necessidades humanas – o capitalismo, na sua era neoliberal. Desconhecer as raízes históricas dos problemas, não compreender que é um sistema construído historicamente e que, portanto, pode ser desconstruído, que teve começo, tem meio e pode ter fim. Que a história humana é sempre um processo aberto de alternativas e que triunfam as alternativas que conseguem superar esse ceticismo-cinismo que joga água no moinho de deixar tudo como está, pela ação cons
Postado por Emir Sader às 09:19
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Endemia política
| Endemia política |
| ESCRITO POR FREI BETTO |
| SEXTA, 26 DE AGOSTO DE 2011 |
A política brasileira sempre se alimentou do dinheiro da corrupção. Não todos os políticos. Muitos são íntegros, têm vergonha na cara e lisura no bolso. Porém, as campanhas são caras, o candidato não dispõe de recursos ou evita reduzir sua poupança e os interesses privados no investimento público são vorazes. Arma-se, assim, a maracutaia. O candidato promete, por baixo dos panos, facilitar negócios privados junto à administração pública. Como por encanto, aparecem os recursos de campanha. Eleito, aprova concorrências sem licitações, nomeia indicados pelo lobby da iniciativa privada, dá sinal verde a projetos superfaturados e embolsa o seu quinhão, ou melhor, o milhão. Para uma empresa que se propõe a fazer uma obra no valor de R$ 30 milhões – e na qual, de fato, não gastará mais de 20, sobretudo em tempos de terceirização – é excelente negócio embolsar 10 e ainda repassar 3 ou 4 ao político que facilitou a negociata. Conhecemos todos a qualidade dos serviços públicos. Basta recorrer ao SUS ou confiar os filhos à escola pública (todo político deveria ser obrigado, por lei, a tratar-se pelo SUS e matricular, como propõe o senador Cristovam Buarque, os filhos em escolas públicas). Vejam ruas e estradas: o asfalto cede com chuva um pouco mais intensa, os buracos exibem enormes bocas, os reparos são freqüentes. Obras intermináveis... Isso me lembra o conselho de um preso comum, durante o regime militar, a meu confrade Fernando de Brito, preso político: “Padre, ao sair da cadeia trate de ficar rico. Comece a construir uma igreja. Promova quermesses, bingos, sorteios. Arrecade muito dinheiro dos fiéis. Mas não seja bobo de terminar a obra. Não termine nunca. Assim o senhor poderá comprar fazendas e viver numa boa”. Com o perdão da rima, a idéia que se tem é que o dinheiro público não é de ninguém. É de quem meter a mão primeiro. E como são raros os governantes que, como a presidente Dilma, vão atrás dos ladrões, a turma do Ali Babá se farta. Meu pai contava a história de um político mineiro que enriqueceu à base de propinas. Como tinha apenas dois filhos, confiou boa parcela de seus recursos (ou melhor, nossos) à conta de um genro, meio pobretão. Um dia, o beneficiário decidiu se separar da mulher. O ex-sogro foi atrás: “Cadê meu dinheiro?”. O ex-genro fez aquela cara de indignado: “Que dinheiro? Prova que há dinheiro seu comigo”. Ladrão que rouba ladrão... Hoje, o ex-genro mora com a nova mulher num condomínio de alto luxo. Sou cético quanto à ética dos políticos ou de qualquer outro grupo social, incluídos frades e padres. Acredito, sim, na ética da política, e não na política. Ou seja, criar instituições e mecanismos que coíbam quem se sente tentado a corromper ou ser corrompido. A carne é fraca, diz o Evangelho. Mas as instituições devem ser suficientemente fortes, as investigações rigorosas e as punições severas. A impunidade faz o bandido. E, no caso de políticos, ela se soma à imunidade. Haja ladroeira! Daí a urgência da reforma política – tema que anda esquecido – e de profunda reforma do nosso sistema judiciário. Adianta a Polícia Federal prender se, no dia seguinte, todos voltam à rua ansiosos por destruir provas? E ainda se gasta saliva quanto ao uso de algemas, olvidando os milhões surrupiados... e jamais devolvidos aos cofres públicos. Ainda que o suspeito fique em liberdade, por que a Justiça não lhe congela os bens e o impede de movimentar contas bancárias? A parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Os corruptos sabem muito bem o quanto ele pode ser agraciado ou prejudicado. As escolas deveriam levar casos de corrupção às salas de aula. Incutir nos alunos a suprema vergonha de fazer uso privado dos bens coletivos. Já que o conceito de pecado deixou de pautar a moral social, urge cultivar a ética como normatizadora do comportamento. Desenvolver em crianças e jovens a auto-estima de ser honesto e de preservar o patrimônio público. Frei Betto é escritor, autor do romance “Minas do Ouro”, que a editora Rocco faz chegar às livrarias esta semana. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto. |
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