segunda-feira, 18 de junho de 2012

O rabo, que engraçado. Drummond


O rabo, que engraçado.
Está sempre sorrindo, nunca disfarça
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. O rabo basta-se.
Existe algo mais? Talvez os peitos.
Ora – reclama o rabo – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
O rabo são duas bandas gêmeas
em redondo e atrevido balanço. Anda por si
no ritmo jeitoso, na maravilha
de ser dois em um, plenamente.
O rabo se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo o rabo. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
O rabo é a bunda,
rabuda.

Drummond











"Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Eduardo Galeano















sexta-feira, 15 de junho de 2012

"Histórias Íntimas", Mary del Priore conta como o sexo se ampliou



Folha - Em "Histórias Íntimas" você fala que, no século 19, "não havia lugar do corpo feminino menos erótico do que os seios". O corpo da mulher se tornou mais desfrutável desde então?

Mary del Priore - Sim, os seios ganharam importância quando a lingerie começou a se difundir, no século 20. Antes, a roupa íntima da mulher era uma sobreposição de saias compridas, repletas de botões e laços. Despir-se era complexo.
A lingerie levou o olhar do homem para uma parte do corpo feminino até então vista como meramente funcional, chamadas de "aparelhos de lactação". Mas a grande moda dos seios veio mesmo na década de 1950, com o cinema americano, a Playboy e a Marilyn Monroe.


Como os avanços industriais contribuíram para a ampliação da sexualidade?

- A abertura dos portos, em 1808, modificou os hábitos noturnos burgueses. Até o século 19, dormia-se em redes ou esteiras. As relações ocorriam nesses locais, o que as tornava breves. A partir de 1808, passaram a chegar camas e colchões da Europa. E o quarto do casal burguês passou a ser o que chamo de santuário da reprodução.
O sexo também ganhou muito, já no século 20, com a comercialização da pasta de dente, do desodorante, do sabão e de outros produtos de higiene. Eles tornaram o corpo mais limpo e, por consequência, explorável.


Você diz que, a partir dos anos 1960, a ideia do "direito do prazer" fabricou um efeito colateral: o sofrimento pela ausência do prazer. Ele é pior do que a contenção?

- Ambos são nefastos. Nossa sociedade passou com muita rapidez da ditadura da contenção para a ditadura do gozo. Hoje, além de escolher os parceiros, as pessoas podem escolher o próprio sexo. Podem ser homem em um dia e mulher no outro. Mas esse excesso causa no homem uma insegurança muito grande.
A mulher também está solitária, tanto que as manchetes de revistas femininas continuam ensinando formas de agradar aos homens. E, até os anos 1980, a preocupação das revistas era com o bem-estar da família. A palavra "orgasmo" nem aparecia no vocabulário do casamento.
















quinta-feira, 14 de junho de 2012

Poesia com erotismo - Anïs Nim





Penso que se escreve para um mundo onde se possa viver.


A origem da mentira está na imagem idealizada que temos de nós próprios e que desejamos impor aos outros.


O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.



A única anormalidade é a incapacidade de amar.
A nossa vida em grande parte compõe-se de sonhos. É preciso ligá-los à ação.



O único transformador, o único alquimista que muda tudo em ouro, é o amor. O único antídoto contra a morte, a idade, a vida vulgar, é o amor.