segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Prostituta, brasileira e sucesso na tevê

Gabriel Bonis


Personagem da animação portuguesa Café Central, Gina é brasileira e prostituta. Foto: Reprodução
“É demolidor sair nas ruas todos os dias e imediatamente se assumir que a pessoa tem um preço. Isso é uma barreira para a liberdade”. É assim que a presidente da União de Mulheres Alternativa e Resposta de Portugal, Maria José Magalhães, define o preconceito contra as mulheres brasileiras na sociedade portuguesa, em conversa com o site de CartaCapital, por telefone.
Para enfrentar esse problema no país lusitano, diversas ONGs portuguesas, entre elas a Umar, aderiram ao “Manifesto Contra o Preconceito às Brasileiras” (veja aqui), motivado pela criação do programa de animação Café Central, da rede de televisão estatal portuguesa RTP, no qual há apenas uma mulher.
Brasileira, a personagem Gina é retratada como “prostituta e maníaca sexual, alvo dos personagens masculinos do programa”, relata o manifesto. “Trata-se de um desrespeito a todas as mulheres, pois ironiza sua possibilidade de exercer uma sexualidade livre.”
“Nossas companheiras de todas as nacionalidades ficaram horrorizadas ao ver como a imagem da brasileira estava sendo retratada”, aponta Magalhães. “Estamos avaliando a possibilidade de fazer uma denúncia às autoridades da Comunicação Social de Portugal.”
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‘Fora, imigrantes’

Proteção sob o sol do Brasil

A associação da imagem das brasileiras à sexualização na Europa não é novidade e está relacionada a diversos fatores, entre eles o elevado número de prostitutas brasileira vivendo e trabalhando no continente. Segundo dados de 2008 da Organização Internacional de Migrações (IOM), braço da ONU, são mais de 75 mil.
“É fato que a mulher brasileira desperta muito interesse sexual e isto poderá lhe causar alguns constrangimentos e situações de assédio”, afirma a doutora em Ciências Sociais e pesquisadora do Centro em Rede de Investigação em Antropologia, do Instituto Universitário de Lisboa, Vanda Aparecida da Silva.
Assista ao vídeo da tevê portuguesa:

Há cinco anos em Portugal e atualmente realizando uma pesquisa sobre as experiências e representações de sexualidade entre jovens e adultos locais no meio rural, Silva conta que essa objetificação é também alimentada pela curiosidade do homem português em conhecer o desempenho sexual da mulher brasileira, tido como exponencial.
Por isso, muitas delas adotam comportamentos mais reservados para não serem associadas à prostituição. “Conheço brasileiras que resolveram mudar sua vestimenta, preferindo usar roupas mais discretas, mas reconhecendo que isto as incomoda.”
O manifesto, que conta ainda com o apoio da Marcha Mundial das Mulheres Portugal, também aponta o dedo para a ação da mídia na criação e manutenção deste estigma.
Capa da revista semanal Focus estampa a objetificação da mulher brasileira na sociedade portuguesa. Foto: Reprodução
Um dos casos abordados é a capa da edição 565 da revista semanal Focus, que traz uma mulher de costas exibindo o corpo de biquíni. A manchete “Os segredos da mulher brasileira” vem acompanhada de frases depreciativas: “Eles adoram-na, elas odeiam-na”, “2216 casamentos com portugueses só em 2009” e “Os dez mandamentos que usam para seduzir os homens”.
Uma abordagem que fecha portas no mercado de trabalho formal, devido à descriminação. “As brasileiras estão aqui em diversas profissões e não podemos identificá-las como objeto sexual e retirar-lhe os direitos”, destaca Magalhães.
O manifesto exige que as autoridades de Portugal enfrentem a situação de maneira concreta e cumpram a Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres, assinada por ambas as nações. Aproveitando também para tentar conscientizar os cidadãos e cidadãs portugueses sobre os direitos das mulheres.
Preconceito
Um levantamento preliminar realizado pela Umar indica os centros urbanos e as grandes cidades como locais mais “abertos” que o interior ou o Norte do país. Uma região tão conservadora que na cidade de Bragança, a elevação do número de divórcios foi atribuída a prostitutas brasileiras, revela a cientista social.
Silva destaca que os homens portugueses se encantam com o comportamento das brasileiras, mas não estão dispostos a deixar de lado outros referenciais de conduta feminina. “O imaginário da mulher recatada, ideal para o casamento ainda está guardado no porão da consciência deles.”
No entanto, Portugal tem amadurecido suas posições sobre sexualidade e revisto alguns preconceitos, destaca a pesquisadora. Segundo ela, a aprovação de leis que permitem o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo mostra uma consolidação sobre temas morais complexos.
Contudo, por ainda se tratar de um movimento lento, adianta Silva, as mulheres brasileiras em Portugal estão também revendo suas posições sobre os homens locais. “Há uma desmistificação do português enquanto figura romântica do estrangeiro para um bom casamento. Vejo a mulher brasileira reivindicando viver sua sexualidade sem querer corresponder a estereótipos.”
Uma liberdade de atitude defendida por Magalhães, mas sem estigmas. “Aspectos bonitos do Brasil, como a abertura, a música e as danças, não podem ser usados contra as mulheres brasileiras. Elas precisam ser valorizadas por isso e não prejudicadas”, conclui.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O fim das utopias europeias

 

O custo intangível do fracasso europeu 
José Luís Fiori 

"Se fosse possível hierarquizar sonhos, a criação da União Europeia estaria entre os mais importantes do século XX. Depois de um milênio de guerras contínuas, os estados europeus decidiram abrir mão de suas soberanias nacionais, para criar uma comunidade econômica e política, inclusiva, pacífica, harmoniosa, sem fronteiras, sem discriminações e sem hegemonias. Um verdadeiro milagre, para um continente que se transformou no centro do mundo, graças à sua capacidade de se expandir e dominar os outros povos, de forma quase sempre violenta, e muitas vezes predatória." JLF: "Os sinos estão dobrando", Valor, junho de 2008

Os sinais de desagregação são cada vez maiores e frequentes, e já não cabe dúvida que o processo de "unificação europeia" entrou num beco sem saída. É quase certo o calote da dívida grega, e é cada vez mais provável a ruptura da zona do euro, que teria um efeito em cadeia, de grandes proporções, dentro e fora do Velho Continente. Ao mesmo tempo, a vitória da França e da Inglaterra, na Líbia, aumentou a divisão e aprofundou o cisma alemão dentro da Otan. Por outro lado, os governos conservadores europeus estão em queda livre, e sua alternativa social-democrata não tem mais nenhuma identidade ideológica. Os intelectuais batem cabeça e a juventude busca novos caminhos um pouco sem rumo. O próprio ideal da unificação europeia tem cada vez menos força, entre as elites e dentro de sociedades em que se dissemina a violência e a xenofobia. Parece iminente o fracasso europeu.

No final do século XX, enterraram o socialismo, e agora estão jogando na lata do lixo o seu cosmopolitismo liberal

Em tudo isso, chama a atenção que o avanço da catástrofe anunciada venha sendo acompanhado por uma consciência cada vez mais nítida e consensual a respeito das causas últimas, econômicas e políticas, da própria impotência europeia. Do lado econômico, todos reconhecem a falta de um Tesouro europeu com capacidade unificada de tributar e emitir dívidas, junto com um BC capaz de atuar como emprestador de última instância, em todos os mercados, garantindo a liquidez dos atuais títulos soberanos nacionais que deveriam ser extintos e substituídos por um único título publico unificado, para toda a zona do euro. E quase todos já reconhecem a impossibilidade de uma moeda soberana e de um BC eficaz, sem um estado que lhes dê credibilidade e poder real de ação, em particular nas situações de crise. Uma posição que só poderia ser cumprida, neste momento, pela Alemanha, que não quer ou não pode fazê-lo, ou por um estado central que ninguém aceita..

Do mesmo forma, pelo lado político, o aumento da fragilidade e da fragmentação da Europa, vem sendo atribuído pelos analistas, de forma quase consensual, ao fim da guerra fria e à unificação da Alemanha, junto com o aumento descontrolado da UE e da Otan, que passaram da condição de projetos defensivos, para a condição de instrumentos de conquista territorial e expansão da influencia militar e econômica do ocidente, dentro da Europa do Leste, e já agora, também, na Ásia Central e no Norte da África. O alargamento em todas as direções, da UE e da Otan, aumentou suas desigualdades sociais e nacionais e reduziu o grau de homogeneidade, identidade e solidariedade que existia no início do processo de integração, quando ele era tutelado pelos EUA, e tinha um inimigo comum, a URSS..

Agora, quando os analistas da crise europeia se dedicam a traçar cenários futuros, quase todos calculam o tamanho da desgraça em termos estritamente econômicos, em bilhões e trilhões de euros. E pouco se fala dos custos intangíveis do fracasso europeu no campo das ideias, dos valores e dos grandes sonhos e símbolos que movem a humanidade. Um verdadeiro impacto atômico sobre duas pilastras fundamentais do pensamento moderno: a crença na viabilidade contratual de um governo ou governança mundial; e a aposta na possibilidade cosmopolita, de uma federação ou confederação de repúblicas, pacíficas, harmoniosas, e sem fronteiras ou egoísmos nacionais. Duas ideias europeias que foram concebidas num continente extremamente belicoso e competitivo, mas que foi o grande responsável pela criação e universalização do sistema de estados nacionais modernos e do próprio capitalismo. Agora os europeus estão experimentando na pele a impossibilidade real de suas utopias, ao tentarem construir um governo cosmopolita e contratual a partir de estados nacionais extremamente desiguais, do ponto de vista do poder e da riqueza.

O problema grave e insanável é que a falência do "contratualismo" e do "cosmopolitismo, deixa os europeus sem mais nenhum sonho ou utopia coletiva. Em poucas décadas, no final do século XX, eles enterraram o seu socialismo, e agora, no início do século XXI, estão jogando na lata do lixo, o seu "cosmopolitismo liberal". E estão deixando o resto do sistema mundial, sem a bússola do seu criador, porque o sistema seguirá em frente, mas o seu "software" europeu está perdendo energia e está se apagando.

José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às quartas-feiras.


Leia mais em: O Esquerdopata
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Deliciosas

 curvas perfeiras...
 ângulo de 360°...
 maravilha de...
 estou carente...me dê uma mão...
 quero rosetá...
estou cansada...quero relaxar...

Clitóris, muito prazer!

 


Se você perguntar para alguns homens sobre se eles sabem o que é um clitóris, a imensa maioria vai dizer que conhece tão bem, que muitos são capazes até de tentar corrigi-la:
Não é clitóris, é clítoris!


Seria bom se a falta de conhecimento ficasse apenas à questões gramaticais, mas, para desgosto das mulheres, a maioria sequer sabe onde fica o dito cujo. E muitos daqueles que conhecem, não sabem o que fazer com ele!

Em primeiro lugar é bom deixarmos bem claro que o clitóris é um micro pênis, e se os caras se preocupassem um pouco mais em conhecer o corpo de suas mulheres, quem sabe dando uma olhadinha na periquita, veriam que ele tem glande, igual um bingulinzinho.


Muito bem, se você ainda não sabe onde fica o clitóris, pergunte a sua garota, que ela vai dizer com a maior boa vontade! Mas, nada de já ir abocanhado feito um esfomeado! Antes você tem que gastar um bom tempo com as maravilhosas preliminares, esquentar o corpinho dela, até que ela esteja bem alegrinha, com o corpo pulsando de eletricidade. Desta maneira você vai fazer com que a garota tenha uma ereção, facilitando muito mais o seu trabalho de fazer um boquete nela! Ah, sim meu chapa, elas também ficam de pau duro!


O clitóris é extremamente sensível. Por isso é fundamental tomar muito cuidado com as unhas e evitar ao máximo resvalar seus dentes nele. Muitas mulheres reclamam que seus parceiros, mesmo com as melhores das intenções, sempre acabam esfriando o clima quando passam os dentes ou os machucam com as unhas. Pior que isso é quando eles resolvem morder!

E não fique muito tempo acariciando com os dedos, repetindo os mesmos movimentos, porque isso pode causar irritação. Sim, repito: eles são sensíveis!!!


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

discurso da presidente Dilma Rousseff


21/09/2011 - 11:34 | Redação | São Paulo

Leia a íntegra do discurso da presidente Dilma Rousseff na abertura da 66ª Assembleia Geral da ONU

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, abriu nesta quarta-feira (21/09) a 66ª Assemblaia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Ela destacou o fato de ser a primeira mulher a inaugurar a sessão extraordinária e focou seu discurso na crise econômica mundial e no pedido para a criação de um Estado palestino. Leia abaixo o discurso na íntegra. 
Leia mais: Na ONU, Dilma diz que crise internacional atinge mais as mulheres
América Latina pede a países ricos que evitem desastre financeiro 
Milhares saem às ruas na Europa e EUA em protesto contra mercados financeiros 'Devemos lutar pela paridade de direitos', diz ativista palestino que defende Estado único
Crise pode resultar em maior regulação das agências de risco, dizem especialistas 


Discurso da Presidenta da República, Dilma Rousseff, na abertura do Debate Geral da 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas - Nova Iorque/EUA
21/09/2011 às 11h20

Nova Iorque-EUA, 21 de setembro de 2011
 

Senhor presidente da Assembleia Geral, Nassir Abdulaziz Al-Nasser,

Senhor secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,

Senhoras e senhores chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e senhores,
 

Pela primeira vez, na história das Nações Unidas, uma voz feminina inaugura o Debate Geral. É a voz da democracia e da igualdade se ampliando nesta tribuna que tem o compromisso de ser a mais representativa do mundo.

É com humildade pessoal, mas com justificado orgulho de mulher, que vivo este momento histórico.

Divido esta emoção com mais da metade dos seres humanos deste Planeta, que, como eu, nasceram mulher, e que, com tenacidade, estão ocupando o lugar que merecem no mundo. Tenho certeza, senhoras e senhores, de que este será o século das mulheres.

Na língua portuguesa, palavras como vida, alma e esperança pertencem ao gênero feminino. E são também femininas duas outras palavras muito especiais para mim: coragem e sinceridade. Pois é com coragem e sinceridade que quero lhes falar no dia de hoje.

Senhor Presidente,

O mundo vive um momento extremamente delicado e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade histórica. Enfrentamos uma crise econômica que, se não debelada, pode se transformar em uma grave ruptura política e social. Uma ruptura sem precedentes, capaz de provocar sérios desequilíbrios na convivência entre as pessoas e as nações. 

Leia mais: EUA prometem barrar Estado palestino. Europa está dividida  Palestinos acreditam em maioria no Conselho da ONU; Cisjordânia e Tel Aviv veem protestos Abbas espera 'tempos difíceis' com criação do Estado palestino  EUA lançam campanha contra reconhecimento do Estado palestino pela ONU, diz jornal  Reconhecimento do Estado palestino monopoliza discussões antes de assembleia na ONU 

Mais que nunca, o destino do mundo está nas mãos de todos os seus governantes, sem exceção. Ou nos unimos todos e saímos, juntos, vencedores ou sairemos todos derrotados.

Agora, menos importante é saber quais foram os causadores da situação que enfrentamos, até porque isto já está suficientemente claro. Importa, sim, encontrarmos soluções coletivas, rápidas e verdadeiras.

Essa crise é séria demais para que seja administrada apenas por uns poucos países. Seus governos e bancos centrais continuam com a responsabilidade maior na condução do processo, mas como todos os países sofrem as conseqüências da crise, todos têm o direito de participar das soluções.

Não é por falta de recursos financeiros que os líderes dos países desenvolvidos ainda não encontraram uma solução para a crise. É, permitam-me dizer, por falta de recursos políticos e algumas vezes, de clareza de ideias.

Uma parte do mundo não encontrou ainda o equilíbrio entre ajustes fiscais apropriados e estímulos fiscais corretos e precisos para a demanda e o crescimento. Ficam presos na armadilha que não separa interesses partidários daqueles interesses legítimos da sociedade.

O desafio colocado pela crise é substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo. Enquanto muitos governos se encolhem, a face mais amarga da crise – a do desemprego – se amplia. Já temos 205 milhões de desempregados no mundo. 44 milhões na Europa. 14 milhões nos Estados Unidos. É vital combater essa praga e impedir que se alastre para outras regiões do Planeta.

Nós, mulheres, sabemos, mais que ninguém, que o desemprego não é apenas uma estatística. Golpeia as famílias, nossos filhos e nossos maridos. Tira a esperança e deixa a violência e a dor.

Senhor Presidente,

É significativo que seja a presidenta de um país emergente, um país que vive praticamente um ambiente de pleno emprego, que venha falar, aqui, hoje, com cores tão vívidas, dessa tragédia que assola, em especial, os países desenvolvidos.

Como outros países emergentes, o Brasil tem sido, até agora, menos afetado pela crise mundial. Mas sabemos que nossa capacidade de resistência não é ilimitada. Queremos – e podemos – ajudar, enquanto há tempo, os países onde a crise já é aguda. 

Leia mais: 'Lula merece ser secretário-geral da ONU', diz Morales Líbano denuncia Israel a Conselho de Segurança da ONU Brasil garanteque continuará busca de "alternativas diplomáticas" para o Irã Em discurso no Congresso, Obama cita visita ao Brasil e trata de questões polêmicas

Um novo tipo de cooperação, entre países emergentes e países desenvolvidos, é a oportunidade histórica para redefinir, de forma solidária e responsável, os compromissos que regem as relações internacionais.

O mundo se defronta com uma crise que é ao mesmo tempo econômica, de governança e de coordenação política.

Não haverá a retomada da confiança e do crescimento enquanto não se intensificarem os esforços de coordenação entre os países integrantes da ONU e as demais instituições multilaterais, como o G-20, o Fundo Monetário, o Banco Mundial e outros organismos. A ONU e essas organizações precisam emitir, com a máxima urgência, sinais claros de coesão política e de coordenação macroeconômica.

As políticas fiscais e monetárias, por exemplo, devem ser objeto de avaliação mútua, de forma a impedir efeitos indesejáveis sobre os outros países, evitando reações defensivas que, por sua vez, levam a um círculo vicioso.

Já a solução do problema da dívida deve ser combinada com o crescimento econômico. Há sinais evidentes de que várias economias avançadas se encontram no limiar da recessão, o que dificultará, sobremaneira, a resolução dos problemas fiscais.

Está claro que a prioridade da economia mundial, neste momento, deve ser solucionar o problema dos países em crise de dívida soberana e reverter o presente quadro recessivo. Os países mais desenvolvidos precisam praticar políticas coordenadas de estímulo às economias extremamente debilitadas pela crise. Os países emergentes podem ajudar.

Países altamente superavitários devem estimular seus mercados internos e, quando for o caso, flexibilizar suas políticas cambiais, de maneira a cooperar para o reequilíbrio da demanda global.

Urge aprofundar a regulamentação do sistema financeiro e controlar essa fonte inesgotável de instabilidade. É preciso impor controles à guerra cambial, com a adoção de regimes de câmbio flutuante. Trata-se, senhoras e senhores, de impedir a manipulação do câmbio tanto por políticas monetárias excessivamente expansionistas como pelo artifício do câmbio fixo.

A reforma das instituições financeiras multilaterais deve, sem sombra de dúvida, prosseguir, aumentando a participação dos países emergentes, principais responsáveis pelo crescimento da economia mundial. 

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O protecionismo e todas as formas de manipulação comercial devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta.

Senhor Presidente,

O Brasil está fazendo a sua parte. Com sacrifício, mas com discernimento, mantemos os gastos do governo sob rigoroso controle, a ponto de gerar vultoso superávit nas contas públicas, sem que isso comprometa o êxito das políticas sociais, nem nosso ritmo de investimento e de crescimento.

Estamos tomando precauções adicionais para reforçar nossa capacidade de resistência à crise, fortalecendo nosso mercado interno com políticas de distribuição de renda e inovação tecnológica.

Há pelo menos três anos, senhor Presidente, o Brasil repete, nesta mesma tribuna, que é preciso combater as causas, e não só as consequências da instabilidade global.

Temos insistido na interrelação entre desenvolvimento, paz e segurança; e  que as políticas de desenvolvimento sejam, cada vez mais, associadas às estratégias do Conselho de Segurança na busca por uma paz sustentável.

É assim que agimos em nosso compromisso com o Haiti e com a Guiné-Bissau. Na liderança da Minustah, temos promovido, desde 2004, no Haiti, projetos humanitários, que integram segurança e desenvolvimento. Com profundo respeito à soberania haitiana, o Brasil tem o orgulho de cooperar para a consolidação da democracia naquele país.

Estamos aptos a prestar também uma contribuição solidária, aos países irmãos do mundo em desenvolvimento, em matéria de segurança alimentar, tecnologia agrícola, geração de energia limpa e renovável e no combate à pobreza e à fome.

Senhor Presidente,

Desde o final de 2010, assistimos a uma sucessão de manifestações populares que se convencionou denominar “Primavera Árabe”. O Brasil é pátria de adoção de muitos imigrantes daquela parte do mundo. Os brasileiros se solidarizam com a busca de um ideal que não pertence a nenhuma cultura, porque é universal: a liberdade.

É preciso que as nações aqui reunidas encontrem uma forma legítima e eficaz de ajudar as sociedades que clamam por reforma, sem retirar de seus cidadãos a condução do processo.

Repudiamos com veemência as repressões brutais que vitimam populações civis. Estamos convencidos de que, para a comunidade internacional, o recurso à força deve ser sempre a última alternativa. A busca da paz e da segurança no mundo não pode limitar-se a intervenções em situações extremas.

Apoiamos o Secretário-Geral no seu esforço de engajar as Nações Unidas na prevenção de conflitos, por meio do exercício incansável da democracia e da promoção do desenvolvimento. 

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O mundo sofre, hoje, as dolorosas consequências de intervenções que agravaram os conflitos, possibilitando a infiltração do terrorismo onde ele não existia, inaugurando novos ciclos de violência, multiplicando os números de vítimas civis. 

Muito se fala sobre a responsabilidade de proteger; pouco se fala sobre a responsabilidade ao proteger. São conceitos que precisamos amadurecer juntos. Para isso, a atuação do Conselho de Segurança é essencial, e ela será tão mais acertada quanto mais legítimas forem suas decisões. E a legitimidade do próprio Conselho depende, cada dia mais, de sua reforma.

Senhor Presidente,

A cada ano que passa, mais urgente se faz uma solução para a falta de representatividade do Conselho de Segurança, o que corrói sua eficácia. O ex-presidente Joseph Deiss recordou-me um fato impressionante: o debate em torno da reforma do Conselho já entra em seu 18º ano. Não é possível, senhor Presidente, protelar mais.

O mundo precisa de um Conselho de Segurança que venha a refletir a realidade contemporânea; um Conselho que incorpore novos membros permanentes e não-permanentes, em especial representantes dos países em desenvolvimento.

O Brasil está pronto a assumir suas responsabilidades como membro permanente do Conselho. Vivemos em paz com nossos vizinhos há mais de 140 anos. Temos promovido com eles bem-sucedidos processos de integração e de cooperação. Abdicamos, por compromisso constitucional, do uso da energia nuclear para fins que não sejam pacíficos. Tenho orgulho de dizer que o Brasil é um vetor de paz, estabilidade e prosperidade em sua região, e até mesmo fora dela.

No Conselho de Direitos Humanos, atuamos inspirados por nossa própria história de superação. Queremos para os outros países o que queremos para nós mesmos.

O autoritarismo, a xenofobia, a miséria, a pena capital, a discriminação, todos são algozes dos direitos humanos. Há violações em todos os países, sem exceção. Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas. Devemos nos beneficiar delas e criticar, sem meias-palavras, os casos flagrantes de violação, onde quer que ocorram.

Senhor Presidente,

Quero estender ao Sudão do Sul as boas vindas à nossa família de nações. O Brasil está pronto a cooperar com o mais jovem membro das Nações Unidas e contribuir para seu desenvolvimento soberano.

Mas lamento ainda não poder saudar, desta tribuna, o ingresso pleno da Palestina na Organização das Nações Unidas. O Brasil já reconhece o Estado palestino como tal, nas fronteiras de 1967, de forma consistente com as resoluções das Nações Unidas. Assim como a maioria dos países nesta Assembléia, acreditamos que é chegado o momento de termos a Palestina aqui representada a pleno título.

O reconhecimento ao direito legítimo do povo palestino à soberania e à autodeterminação amplia as possibilidades de uma paz duradoura no Oriente Médio. Apenas uma Palestina livre e soberana poderá atender aos legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno regional.

Venho de um país onde descendentes de árabes e judeus são compatriotas e convivem em harmonia – como deve ser.

Senhor Presidente,

O Brasil defende um acordo global, abrangente e ambicioso para combater a mudança do clima no marco das Nações Unidas. Para tanto, é preciso que os países assumam as responsabilidades que lhes cabem.

Apresentamos uma proposta concreta, voluntária e significativa de redução [de emissões], durante a Cúpula de Copenhague, em 2009. Esperamos poder avançar já na reunião de Durban, apoiando os países em desenvolvimento nos seus esforços de redução de emissões e garantindo que os países desenvolvidos cumprirão suas obrigações, com novas metas no Protocolo de Quioto, para além de 2012.

Teremos a honra de sediar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, em junho do ano que vem. Juntamente com o Secretário-Geral Ban Ki-moon, reitero aqui o convite para que todos os Chefes de Estado e de Governo compareçam.

Senhor Presidente e minhas companheiras mulheres de todo mundo,

O Brasil descobriu que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. E que uma verdadeira política de direitos humanos tem por base a diminuição da desigualdade e da discriminação entre as pessoas, entre as regiões e entre os gêneros.

O Brasil avançou política, econômica e socialmente sem comprometer sequer uma das liberdades democráticas. Cumprimos quase todos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, antes 2015. Saíram da pobreza e ascenderam para a classe média no meu país quase 40 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho plena convicção de que cumpriremos nossa meta de, até o final do meu governo, erradicar a pobreza extrema no Brasil.

No meu país, a mulher tem sido fundamental na superação das desigualdades sociais. Nossos programas de distribuição de renda têm nas mães a figura central. São elas que cuidam dos recursos que permitem às famílias investir na saúde e na educação de seus filhos.

Mas o meu país, como todos os países do mundo, ainda precisa fazer muito mais pela valorização e afirmação da mulher. Ao falar disso, cumprimento o secretário-geral Ban Ki-moon pela prioridade que tem conferido às mulheres em sua gestão à frente das Nações Unidas.

Saúdo, em especial, a criação da ONU Mulher e sua diretora-executiva, Michelle Bachelet.

Senhor Presidente,

Além do meu querido Brasil, sinto-me, aqui, representando todas as mulheres do mundo. As mulheres anônimas, aquelas que passam fome e não podem dar de comer aos seus filhos; aquelas que padecem de doenças e não podem se tratar; aquelas que sofrem violência e são discriminadas no emprego, na sociedade e na vida familiar; aquelas cujo trabalho no lar cria as gerações futuras.

Junto minha voz às vozes das mulheres que ousaram lutar, que ousaram participar da vida política e da vida profissional, e conquistaram o espaço de poder que me permite estar aqui hoje.

Como mulher que sofreu tortura no cárcere, sei como são importantes os valores da democracia, da justiça, dos direitos humanos e da liberdade.

E é com a esperança de que estes valores continuem inspirando o trabalho desta Casa das Nações que tenho a honra de iniciar o Debate Geral da 66ª Assembleia Geral da ONU.

Muito obrigada

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Scarlett Johansson

Scarlett Johansson
















Nesta terça-feira (20), mais uma foto íntima da atriz caiu na rede  Foto: Reprodução

Na última quarta-feira (14), duas fotos da atriz Scarlett Johansson nua vazaram na internet  Foto: Reprodução

As fotos teriam sido tiradas do celular da atriz, que sofreu a invasão de um hacker  Foto: Reprodução

FALANDO DOS HOMEM



O modo de vida, os novos costumes e o desrespeito à natureza tem afectado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está o macho da espécie humana.

Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha 'Salvem os Homens!'
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade a fim de se preservar os raros e preciosos exemplares que ainda restam.

1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro.
Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro.
Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA.
Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada, diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor.

2. Alimentação correcta
Ninguém vive de vento.
Homem vive de carinho, comida e bebida.
Dê-lhe em abundância.
É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um 'eu te amo’ no café da manhã os mantém viçosos , felizes e realizados durante todo o dia.
Um abraço diário é como a água para as samambaias.
Não o deixe desidratar.
Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.
Portanto, não se faça de dondoca preguiçosa e fresca.
Homem não gosta disso.
Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.

3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor.
Se você quer ter a fidelidade e dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.


4. Respeite a natureza
Você não suporta trabalho em casa? Cerveja ? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros?
Case-se com uma Mulher.
Homens são folgados.
Desarrumam tudo.
São durões.
Não gostam de telefones.
Odeiam discutir a relação.
Odeiam shoppings.
Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda tudo isso e apoie.


6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos).
Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objecto de decoração.
Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade .
Alguns vão-lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você.
Não fuja desses, aprenda com eles e cresça.
E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens.
Não faça sombra sobre ele...
Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás.
Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado.
Porém, se ele estiver atrás, você se dará mal

Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios.
Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, estará salvando a si mesma.

Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom!

SEJA UMA GRANDE MULHER AO LADO DE UM HOMEM

do Blog essenciadeumamulher