terça-feira, 19 de novembro de 2013

Caio Fernando Abreu.

Ele pode estar olhando tuas fotos neste exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas. Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperse das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.
     
Caio Fernando Abreu.
 


 


























Bon Jovi - LiveStream from Cleveland | Full show - Part1


Alter - Watch Over You (Live Leg.).avi


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

TUDO EM CIMA: Filmes: "A Caça"

TUDO EM CIMA: Filmes: "A Caça": AMANHÃ PODE SER VOCÊ Este é um filme que todos deveriam ser obrigados a assistir, principalmente advogados e jornalistas - por An...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

tua língua no interior das minhas coxas




Contorço-me ao sentir a tua língua no interior das minhas coxas. Lambes-me suavemente. Cócegas. Vais subindo em direção a ela. Beijas-me cada centímetro de pele. Fazes-me esperar … ansiar. Fico irrequieta. Sinto por breves instantes a tua língua. Gemo. Eriça-se a pele. Comprimo-te contra ela. A pressão. O lamber. O alternar. Mais rápido. Mais lento. Mais suave. Mais forte. Tudo me agrada. Tremem as pernas. Gemo alto. Foges e voltas às coxas. Fico ainda mais ávida da tua língua. Quero-a.Vontade da tua boca nela. Sobes novamente … Suspiro. Alívio! 

Garimpado do blog O Meu Vicio de Ti!

Dos silêncios … dos confortáveis

Dos silêncios … dos confortáveis
—  parece o meu corpo não se esquece (….)



Do Blog  O Meu Vício de Ti!

1 de Novembro de 2013
Dos silêncios … dos confortáveis

Mia: Don`t you hate that?
Vincent: What?
Mia: Uncomfortable silences. Why do we feel it`s necessary to yak about bullshit in order to be comfortable?
Vincent: I don`t know.  That’s a good question
Mia:  That’s when you know you’ve found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence.”

Pulp Fiction (1994)


Gosto do que temos, do que construímos ao longo do tempo. Gosto de ti como és e pelo que és. Gosto do que me fazes sentir. Do querer ser melhor, muito melhor. Da cumplicidade que temos. Do entendimento. De falar com o olhar. De te dizer tudo apenas com um sorriso, tu o entenderes na perfeição e responderes com um outro, de volta. De te ler nas entrelinhas, sem precisares sequer de falar. Das mãos que se procuram e sempre se encontram, que conhecem os caminhos e descobrem outros. Da serenidade que me fazes sentir. Do afecto. Da ânsia em nos tocarmos, que persiste no tempo e volta sempre, de diferentes formas, mas volta. Do sentido que ambos fazemos. Gosto dos beijos, dos toques, dos abraços prolongados, do aconchego, da mistura dos nossos cheiros, dos sabores, da minha pele em contacto com a tua pele, do sexo. Gosto de ti e gosto do que temos, até dos silêncios.















Olhas-me e percorres-me … Vês as minhas curvas descritas por baixo da roupa

         
Texto garimpado no blog O Meu Vício de Ti!
          
  •  
  •  
    Olhas-me e percorres-me … Vês as minhas curvas descritas por baixo da roupa, a forma como me sento, os movimentos que o meu corpo projeta conforme me mexo ao falar. Observas. Sorves tudo. Os olhos dizem que queres mais, muito mais. Abres a porta e deixas-me entrar à tua frente. Observas o bambolear. O fechar da porta causa-me arrepio. Fico confusa entre o desejo, que sinto cada vez mais e o enfrentar algo, que não controlo em absoluto. “És um mistério para mim” penso. Agrada-me mas assusta-me ao mesmo tempo. Viro-me para ti. Sorrio. Tu retribuis. Aproximo-me, sinto a tua respiração cada vez mais perto. Cheiro-te. Toco-te, ao de leve, nos lábios, com os meus. Deslizo a mão. Quero sentir o teu sexo. Encontro-o duro. Agrada-me que o estejas! Sem descolar  os meus lábios dos teus e em tom de provocação, acrescento, “Pareces contente por estares aqui, comigo!”. Puxas-me para ti com força e apertas-me. Noto cada vez mais a tua vontade de me sentir. Percorres as tuas mãos pelas minhas mamas e tentas provar os mamilos hirtos e grandes que parecem querer sair pelo decote. Viras-me de costas para ti. Ficas bem colado a mim, sentes, na perfeição, o meu rabo a mover-se e a roçar em ti. Nele. Apertas-me, ainda mais. Afincas a tua boca no meu pescoço, beijas-me, trincas-me suavemente enquanto as tuas mãos percorrem o meu corpo, seguindo as minhas formas. Apalpas-me, apertas-me de uma forma rude e intensa como gesto do domínio que queres ter. Apertas-me tanto contra ti, que fico com pouco espaço para me mover. Começo-me a sentir presa. Algo que se por um lado me agrada por outro começa-me a deixar irrequieta. Cada vez te sinto mais. Começas a querer chegar à pele, a querer tocar na pele, a querer tocar-me no sexo. As tuas mãos deslizam levantando o vestido. Sentes as pernas, as meias, as ligas e finalmente chegas ao sexo. A tua mão insiste em me explorar. Queres senti-la, a ela. Afastas as cuecas e deslizas os dedos nela. Quero te tocar mas não consigo. Apertas-me tanto! Tens mais força do que eu. Metes-me na boca os dedos molhados. Saboreie-os. Chupo-te, os dedos. Sorrio. Apertas-me novamente e segredas-me ao ouvido: “És tão puta! És a minha puta!”
  • quarta-feira, 13 de novembro de 2013

    Nick Cave & The Bad Seeds - "Jubilee Street" (Official Uncensored Music ...

    http://www.youtube.com/v/xCxHvNl9MmQ?autohide=1&version=3&attribution_tag=M_3IBIvQKQNk2B2HgkWv3A&autoplay=1&showinfo=1&feature=share&autohide=1


    Olhas-me e percorres-me ... Vês as minhas curvas descritas por baixo da roupa, a forma como me sento, os movimentos que o meu corpo projeta conforme me mexo ao falar. Observas. Sorves tudo. Os olhos dizem que queres mais, muito mais. Abres a porta e deixas-me entrar à tua frente. Observas o bambolear. O fechar da porta causa-me arrepio. Fico confusa entre o desejo, que sinto cada vez mais e o enfrentar algo, que não controlo em absoluto. "És um mistério para mim" penso. Agrada-me mas assusta-me ao mesmo tempo. Viro-me para ti. Sorrio. Tu retribuis. Aproximo-me, sinto a tua respiração cada vez mais perto. Cheiro-te. Toco-te, ao de leve, nos lábios, com os meus. Deslizo a mão. Quero sentir o teu sexo. Encontro-o duro. Agrada-me que o estejas! Sem descolar  os meus lábios dos teus e em tom de provocação, acrescento, "Pareces contente por estares aqui, comigo!". Puxas-me para ti com força e apertas-me. Noto cada vez mais a tua vontade de me sentir. Percorres as tuas mãos pelas minhas mamas e tentas provar os mamilos hirtos e grandes que parecem querer sair pelo decote. Viras-me de costas para ti. Ficas bem colado a mim, sentes, na perfeição, o meu rabo a mover-se e a roçar em ti. Nele. Apertas-me, ainda mais. Afincas a tua boca no meu pescoço, beijas-me, trincas-me suavemente enquanto as tuas mãos percorrem o meu corpo, seguindo as minhas formas. Apalpas-me, apertas-me de uma forma rude e intensa como gesto do domínio que queres ter. Apertas-me tanto contra ti, que fico com pouco espaço para me mover. Começo-me a sentir presa. Algo que se por um lado me agrada por outro começa-me a deixar irrequieta. Cada vez te sinto mais. Começas a querer chegar à pele, a querer tocar na pele, a querer tocar-me no sexo. As tuas mãos deslizam levantando o vestido. Sentes as pernas, as meias, as ligas e finalmente chegas ao sexo. A tua mão insiste em me explorar. Queres senti-la, a ela. Afastas as cuecas e deslizas os dedos nela. Quero te tocar mas não consigo. Apertas-me tanto! Tens mais força do que eu. Metes-me na boca os dedos molhados. Saboreie-os. Chupo-te, os dedos. Sorrio. Apertas-me novamente e segredas-me ao ouvido: "És tão puta! És a minha puta!"

    TUDO PODE TENTAR-ME - Butler Yeats

    Tudo pode tentar-me a que me afaste deste ofício do verso:
    Outrora foi o rosto de uma mulher, ou pior —
    As aparentes exigências do meu país regido por tolos;
    Agora nada melhor vem à minha mão
    Do que este trabalho habitual. Quando jovem,
    Não daria um centavo por uma canção
    Que o poeta não cantasse de tal maneira
    Que parecesse ter uma espada nos seus aposentos;
    Mas hoje seria, cumprido fosse o meu desejo,
    Mais frio e mudo e surdo que um peixe.
     



























    segunda-feira, 11 de novembro de 2013

    Enquanto o trem não passa [ENG/PT/ESP]

    http://www.youtube.com/v/cEorAlteUWA?autohide=1&version=3&attribution_tag=hMIbJz4qz8pKRPjGaBabCg&autoplay=1&feature=share&autohide=1&showinfo=1

    Faroeste Caboclo - Renato Russo

    http://www.youtube.com/v/LBREkLb31Zc?autohide=1&version=3&showinfo=1&attribution_tag=Bf7-qosMv46sinEPH2Oicw&autohide=1&feature=share&autoplay=1

    sexta-feira, 8 de novembro de 2013

    PJ Harvey Rid of Me (+playlist)

    http://www.youtube.com/v/RzwG3r9_L9o?version=3&list=RDkK02kW1mKkk&feature=share&showinfo=1&attribution_tag=jOjPSSZmXugGF_VBWA1YVw&autoplay=1&autohide=1

    Bjork & PJ Harvey perform 'I Can't Get No Satisfaction' | BRIT Awards 1994

    http://www.youtube.com/v/kK02kW1mKkk?version=3&autohide=1&showinfo=1&autohide=1&autoplay=1&feature=share&attribution_tag=sq8moMRE5hed2F8qEFZ3jg

    O planeta em liquidação. Recriação

     

    Luiz Fernando Veríssimo
     
    Deus suspirou. Estava cansado. Há bilhões de anos, quando era mais jovem e ambicioso, a idéia de criar um Universo não lhe parecera absurda. Agora se arrependia. O empreendimento fugira ao seu controle.
    Não conseguia se lembrar nem de quantas luas tinha Saturno. Estava definitivamente ficando velho.
    Olhou em volta da mesa de reuniões. Sua presença naquela Comissão de Recriação era dispensável. Como diretor presidente, tinha a última palavra, mas as decisões eram tomadas pela Sua assessoria. Aqueles jovens tecnocratas pensavam que tinham a resposta para tudo. Queriam tornar o Seu projeto mais moderno e dinâmico. Trabalho mesmo fora o d’Ele. Criara tudo literalmente do Nada. Eles nem eram nascidos. Mas paciência. Precisava acompanhar os tempos. Vetou a proposta do assessor de RP, para que todos se unissem numa oração, e mandou começarem os trabalhos. Odiava o puxa-saquismo.
    — Quanto tempo levará a Recriação? — perguntou.
    — Bem…
    O coordenador hesitou. O Velho, como sempre, queria respostas simples e diretas. Com Ele era tudo luz, luz, trevas, trevas. Mas as coisas não eram mais tão simples. O diretor da Divisão de Obras interveio:
    — Precisamos fazer uma análise de custos. Depois, um organograma. Um fluxograma. Um…
    — Eu fiz tudo em seis dias — interrompeu o diretor presidente.
    — E sozinho. Só descansei no domingo. No meu tempo não existia semana inglesa.
    Lá vinha o Velho outra vez com suas reminiscências. Está bem, ninguém negava o Seu valor. Mas o tempo dos pioneiros já passara. Agora era o tempo dos técnicos. Dos especialistas.
    — Acho que devíamos começar fechando a Terra — disse o diretor financeiro.
    Aquele era um assunto delicado. O Velho tinha uma predileção especial pela Terra. Inclusive por questões familiares. Mas Ele fi cou em silêncio. O diretor fi nanceiro continuou:
    — Acho que a Terra já deu o que tinha que dar. Seus recursos estão esgotados. Não é mais rentável. Não há como recuperá-la. Devemos fechá-la antes que comprometa todo o grupo.
    — Você quer dizer simplesmente liquidá-la?
    — Isso. Nosso representante lá, o papa, receberia uma indenização. Mas não vejo problemas maiores. E teríamos o que descontar do Imposto de Renda.
    O assessor de RP mostrou alguma preocupação.
    — Em termos de imagem, pegaria mal.
    — Por quê? — perguntou o diretor de pesquisa. — Já eliminamos milhões de outros planetas, alguns bem maiores do que a Terra. Não passa um dia em que não explodimos uma estrela.
    — Sei não, sei não…
    Administrar um Universo é um processo aético, meu caro. Temos um projeto a cumprir, metas a serem alcançadas. Não podemos ficar nos preocupando com cada planetinha…
    — O problema foi o tipo de colonização escolhido para a Terra…
    — arriscou o diretor financeiro, olhando com o rabo dos olhos para o Velho. — Desde o começo, com aquele casal, já dava para ver que não daria certo…
    — Quem sabe — sugeriu o assessor de RP — se refaz a Terra em outros moldes, mais empresariais? Dias mais longos, para aumentar a produtividade. Uma nova injeção de petróleo, para melhorar sua vida útil.
    — Esqueça — disse o diretor financeiro. — A Terra não tem mais volta. Foi muito mal administrada. Está falida. Só estaríamos prolongando a sua agonia, com subsídios. Proponho o fechamento. A proposta foi aprovada por maioria. Passaram a discutir o formato que teria o novo Universo. A idéia era aumentar a centralização, acabar com a expansão constante para facilitar a administração e cortar os custos de manutenção… Na cabeceira da mesa, o Velho parecia dormir.
     

    Mascara - arte indígena dos povos


     Movimentos      artísticos      importantes
     como Impressionismo, ExpressionismoSurrealismo
      e    Cubismo,    reconhecidos    por    seu    interesse    em
     relação  à   arte   não-ocidental,  sempre   ignoraram
     os     índios     da     floresta     amazônica
     
     
    Até pouco tempo atrás, a arte indígena dos povos do assim chamado Novo Mundo não existia nem mesmo para os artistas ocidentais da arte contemporânea do início do século XX. Os impressionantes objetos fruto da visão de mundo dos índios que habitam as Américas, desde a floresta tropical da América do Sul até a América do Norte, eram desvalorizados e pouco conhecidos. De acordo com Peter Roe, os responsáveis por esta atitude são os “cânones míopes” da arte ocidental. Embora imediatamente nos lembremos do grande interesse do Surrealismo em relação à arte indígena, no Novo Mundo seu foco foi mais direcionado aos esquimós do norte do Canadá e Alaska (Max Ernst interessou-se pela arte dos índios das áreas desérticas do sul dos Estados Unidos). Portanto, até mesmo os surrealistas podem ser encaixados na crítica de Roe. Ainda de acordo com ele, infelizmente os materiais utilizados pelos índios da floresta amazônica (sementes, penas, cascas de árvores, cabelo, asas de besouro, dentes de animais), além de perecíveis não se encaixavam nas noções da tradição ocidental - embora também saibamos que a arte africana sofreu o mesmo tipo de resistência, seus materiais eram menos perecíveis. A arte ocidental, Roe insiste, só chamava de “arte” algo que fosse refinado (ouro, prata, pedras preciosas) ou monumental (mármore, baixo-relevos em bronze e esculturas de madeira tridimensionais), e deveria ser estático, fixo e sem utilidade. Em resumo, se não fosse uma estátua de bronze ou mármore, ou uma pintura a óleo com moldura enfeitada, não seria considerado arte (1). (imagem acima, a máscara Ypé [Upé], dos índios Tapirapé, representa os Kayapó e Karajá)

    Pornografia e Imagem

    Pornografia e Imagem 



"O mais profundo é a pele”
Paul Valéry (1871-1945)

 No que diz respeito ao mundo Ocidental, o século XX mostrou tudo em matéria de arte erótica. Esta é a opinião de Paul Ardenne, para quem as razões podem ser encontradas no impudor da própria arte do século XIX. De A Origem do Mundo (1866), de Gustave Courbet, até Made in Heaven (1990), onde Jeff Koons se mostra com sua então esposa (a atriz pornô Cicciolina) numa cena de sexo, um longo caminho foi percorrido – de fato, as artes pré-cristãs grega e romana talvez fossem até mais explícitas. Forma dissimulada do desejo em ação, a arte cultiva o obsceno que a moral (burguesa) reprova. No âmbito da arte, ou fora dele, a figura erótica se arrisca a banalizar sua exibição (especialmente em tempos de internet) - algo talvez impensável em outros tempos de repressão sexual. A superexposição nos levará ao dia quando o sexo deixará de ser desejável? (que o consumidor desvie o olhar, este seria o pior pesadelo das agências de propaganda!). Se a exibição excita, o exibicionismo pode levar ao efeito inverso (1). Em 1966, Niki de Saint Phalle apresentou Figure Hon (= ela) em Estocolmo. Uma boneca gigante deitada de barriga para cima com uma abertura na vagina, por onde o visitante pode penetrar. Questões simbólicas remetendo ao ventre maternal (e à heterossexualidade) enquanto espaço protetor parecem evidentes. Por outro lado, como sugeriu Gilles Neret a respeito de Figure Hon, o desejo pode ser lúdico (2). (as imagens pertencem ao calendário da empresa de imagem EIZO)A distância entre arte erótica e pornografia tem mais relação com o estilo do que com o tema 


A imagem do “sexo”, mostrar o sexo, não se restringe apenas a imagens de corpos evocando certas situações. Se admitíssemos juntamente com Freud uma dimensão libidinosa da criação artística, toda a arte estaria ligada à sexualidade – a psicanálise faz da arte um efeito da sexualidade. Seja como for, Freud acaba por dessacralizar a criação artística ao torná-la um efeito de outra coisa. O que representa então uma imagem do corpo num sentido estritamente “erótico”? Considerando o sugerido acima, tal questão deixa de ter sentido. Uma natureza morta? Uma paisagem? Um retrato de família? Uma vaca pastando? O pornográfico então acaba sendo apenas uma questão “geométrica”, uma estética purista, uma arrumação sem desejo entre corpo e objetos. De acordo com Ardenne, as fotografias de um Robert Mapplethorpe teriam de “sexual” apenas sua temática. De fato, afirma Ardennes, a imagem “sexual” é uma imagem construída. Ela se torna sexual caso se organize de forma a ativar o desejo: a dimensão espetacular, o potencial atrativo e excitante, a possibilidade de identificação por parte do espectador oferece uma articulação possível com a obra/fotografia/escultura/etc. Atualmente, mais do que nunca, sacrificamos o corpo através do sacrifício à imagem. Consumir a perdição da figura, até que a ausência da materialidade daquilo que ela representa se torne evidente (e nos massacre). Com uma função criminal tanto quanto sacrificial e estética, seria a relação humana com as imagens uma pulsão de morte? (3)

 
     
                                                   
    Pornografia e Imagem


    "O mais
    profundo
    é a pele”

    Paul Valéry (1871-1945)

    No que diz respeito ao mundo Ocidental, o século XX mostrou tudo em matéria de arte erótica. Esta é a opinião de Paul Ardenne, para quem as razões podem ser encontradas no impudor da própria arte do século XIX. De A Origem do Mundo (1866), de Gustave Courbet, até Made in Heaven (1990), onde Jeff Koons se mostra com sua então esposa (a atriz pornô Cicciolina) numa cena de sexo, um longo caminho foi percorrido – de fato, as artes pré-cristãs grega e romana talvez fossem até mais explícitas. Forma dissimulada do desejo em ação, a arte cultiva o obsceno que a moral (burguesa) reprova. No âmbito da arte, ou fora dele, a figura erótica se arrisca a banalizar sua exibição (especialmente em tempos de internet) - algo talvez impensável em outros tempos de repressão sexual. A superexposição nos levará ao dia quando o sexo deixará de ser desejável? (que o consumidor desvie o olhar, este seria o pior pesadelo das agências de propaganda!). Se a exibição excita, o exibicionismo pode levar ao efeito inverso (1). Em 1966, Niki de Saint Phalle apresentou Figure Hon (= ela) em Estocolmo. Uma boneca gigante deitada de barriga para cima com uma abertura na vagina, por onde o visitante pode penetrar. Questões simbólicas remetendo ao ventre maternal (e à heterossexualidade) enquanto espaço protetor parecem evidentes. Por outro lado, como sugeriu Gilles Neret a respeito de Figure Hon, o desejo pode ser lúdico (2). (as imagens pertencem ao calendário da empresa de imagem EIZO)





    A distância entre arte
    erótica e pornografia tem
    mais relação com o estilo
    do que com o tema




    A imagem do “sexo”, mostrar o sexo, não se restringe apenas a imagens de corpos evocando certas situações. Se admitíssemos juntamente com Freud uma dimensão libidinosa da criação artística, toda a arte estaria ligada à sexualidade – a psicanálise faz da arte um efeito da sexualidade. Seja como for, Freud acaba por dessacralizar a criação artística ao torná-la um efeito de outra coisa. O que representa então uma imagem do corpo num sentido estritamente “erótico”? Considerando o sugerido acima, tal questão deixa de ter sentido. Uma natureza morta? Uma paisagem? Um retrato de família? Uma vaca pastando? O pornográfico então acaba sendo apenas uma questão “geométrica”, uma estética purista, uma arrumação sem desejo entre corpo e objetos. De acordo com Ardenne, as fotografias de um Robert Mapplethorpe teriam de “sexual” apenas sua temática. De fato, afirma Ardennes, a imagem “sexual” é uma imagem construída. Ela se torna sexual caso se organize de forma a ativar o desejo: a dimensão espetacular, o potencial atrativo e excitante, a possibilidade de identificação por parte do espectador oferece uma articulação possível com a obra/fotografia/escultura/etc. Atualmente, mais do que nunca, sacrificamos o corpo através do sacrifício à imagem. Consumir a perdição da figura, até que a ausência da materialidade daquilo que ela representa se torne evidente (e nos massacre). Com uma função criminal tanto quanto sacrificial e estética, seria a relação humana com as imagens uma pulsão de morte? (3)